Relações Líquidas

Relações Líquidas

Recentemente, circularam pelas redes sociais e canais de notícias imagens de um casal que escalou uma antena do Empire State Building, um dos edifícios mais icônicos de Nova York. No topo da estrutura, Angela Nikolau foi pedida em casamento por Ivan Beerkus. Como era de se esperar, o acontecimento gerou opiniões bastante divergentes.

Imagino que esse casal viva grandes aventuras e experiências únicas. Não os conheço e, por isso, não estou aqui para criticá-los ou emitir qualquer juízo de valor sobre suas escolhas. Mas o fato em si, e principalmente a repercussão que ele gerou, me fez refletir sobre algo que tenho observado nas relações atuais.

Segundo dados do IBGE, o número de divórcios no Brasil aumentou cerca de 30% nos últimos dez anos. Ao mesmo tempo, a duração média dos casamentos é de aproximadamente 13,8 anos. Esses números me fazem pensar sobre o que tem acontecido com a forma como nos relacionamos.

Estou apenas no terceiro ano do meu casamento e não me considero experiente o suficiente para julgar a história de quem decidiu se separar. Mas uma ideia que frequentemente me vem à mente é a da “liquidez das relações”, descrita por Zygmunt Bauman. Em uma sociedade marcada pela velocidade, pela busca do imediato e pela constante possibilidade de substituição, o duradouro parece perder espaço. Muitas vezes, os relacionamentos passam a ser vistos como algo que deve continuar apenas enquanto produz satisfação.

Mas onde quero chegar com essa reflexão?

Vivemos em uma época que valoriza intensamente a novidade, a intensidade e a adrenalina. E não estou falando apenas de escalar edifícios ou saltar de paraquedas. Estou falando também daquela sensação das borboletas no estômago, da paixão arrebatadora, da vontade de fazer loucuras por alguém, tão comum no início dos relacionamentos.

O problema é que nenhum relacionamento permanece nesse estado para sempre, em algum momento, a rotina, os dias comuns e o ordinário chegam. E é justamente nesse momento que o amor deixa de ser apenas um sentimento intenso e passa a exigir algo mais: escolha, compromisso e construção diária.

Talvez uma das maiores dificuldades da nossa geração seja aceitar que relacionamentos saudáveis também são feitos de normalidade. Porque o amor não é composto apenas de momentos extraordinários. Na maior parte do tempo, ele se manifesta nas pequenas coisas.

E eu me pergunto: de onde vem essa dificuldade crescente de lidar com a monotonia dos dias comuns?

Será que os filmes romantizaram demais a ideia do amor?

Será que as redes sociais, com seus estímulos constantes e sua dopamina instantânea, têm nos tornado cada vez mais impacientes diante daquilo que exige tempo para florescer?

Eu não tenho uma resposta definitiva.

Mas tenho pensado bastante sobre isso.

E você, o que acha?